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Nutrição Esportiva

Castanhas de Natal fazem bem? Quantas comer e qual escolher

Castanhas de Natal fazem bem? Quantas comer e qual escolher

As castanhas de Natal aparecem em todo canto no fim do ano: na tigela da sala, na cesta de presente, na farofa e na salada da ceia. E sempre vem a mesma dúvida no consultório: faz bem ou é só caloria? Faz bem, e muito. O que decide se elas ajudam ou atrapalham é a porção, e no caso da castanha-do-pará, o selênio. Vou te mostrar quanto comer e qual escolher.

Castanhas de Natal fazem bem?

Fazem. Castanhas, nozes e amêndoas trazem gordura boa, fibra, proteína e minerais como o magnésio, e comer oleaginosas com frequência aparece ligado a menos doença do coração nos estudos. O cuidado é a porção: são muito calóricas, e a tigela na mesa facilita comer bem mais do que você percebe.

Na tabela brasileira de composição dos alimentos (TACO), 100 g de qualquer uma delas passam de 570 kcal. Isso não é motivo pra cortar. É motivo pra servir no pratinho em vez de comer direto do pacote.

Quantas castanhas comer por dia?

Um punhado de uns 30 g por dia é uma boa porção pra maioria das pessoas. Isso dá perto de 170 a 190 kcal, dependendo da castanha. Na prática, cabe na palma da mão fechada. Se a sua favorita é a castanha-do-pará, fique em uma ou duas unidades por dia e complete o punhado com outras. Para ajustar a porção ao seu plano, um nutricionista para emagrecimento em Recife pode ajudar.

No Natal, o problema raramente é a castanha em si. É a soma: o mix na sala antes da ceia, a farofa com castanha, a sobremesa com nozes. Separe a sua porção num potinho e deixe o pacote longe. Como eu digo neste vídeo, o segundo pedaço tem sempre o mesmo gosto do primeiro. Comer devagar e prestar atenção ajuda a saciedade chegar antes do pacote acabar.

Qual a diferença entre nozes, amêndoas, castanha de caju e castanha-do-pará?

As quatro são boas escolhas e têm calorias parecidas, entre 170 e 190 kcal por punhado de 30 g. O que muda é o detalhe: a amêndoa tem mais fibra, a castanha-do-pará tem mais gordura e selênio, e as versões torradas e salgadas trazem sódio. Fiz a conta com os valores da TACO:

  • Castanha-do-pará (crua): 193 kcal, 19 g de gordura, 4 g de proteína e 110 mg de magnésio. É a mais rica em gordura e a campeã de selênio.
  • Amêndoa (torrada e salgada): 174 kcal, 14 g de gordura, 6 g de proteína e 3,5 g de fibra. É a que tem mais fibra e mais cálcio do grupo.
  • Castanha de caju (torrada e salgada): 171 kcal, 14 g de gordura e 6 g de proteína. Tem menos fibra que as outras, e a versão salgada traz sódio.
  • Noz (crua): 186 kcal, 18 g de gordura e 4 g de proteína. Na TACO, a noz analisada é a pecã; a noz comum tem valores parecidos.

Prefira as versões sem sal e sem cobertura de açúcar ou chocolate. Castanha caramelizada já entra na conta de doce, não de oleaginosa. E o mix pronto de festa costuma vir com amendoim salgado, banana chips e uva passa adoçada, então leia o rótulo antes de encher a tigela. Montar o seu mix em casa sai mais barato e mais equilibrado.

Castanha-do-pará tem limite por causa do selênio?

Tem. A castanha-do-pará é uma das fontes de selênio mais concentradas da alimentação, e o teor varia muito com o solo onde a árvore cresceu. A autoridade europeia de segurança alimentar (EFSA) fixou 255 µg por dia como limite máximo seguro pra adultos e citou quem come castanha-do-pará com regularidade como um dos grupos que pode passar dele.

O selênio é necessário, mas em excesso, por semanas, faz mal: o efeito que a EFSA usou pra definir o limite foi a queda de cabelo. Pra ter ideia da variação, num estudo da Nova Zelândia as pessoas comeram duas castanhas por dia esperando uns 100 µg de selênio, e a análise mostrou uma média de 53 µg. Mesmo assim, o selênio no sangue subiu tanto quanto com um suplemento.

Ou seja, duas castanhas por dia já resolvem. O risco está em comer um punhado grande de castanha-do-pará todos os dias, ou somar castanha com suplemento que já tem selênio. Nas festas, um dia de exagero não é o problema. O hábito diário é que precisa de limite.

Castanha engorda?

Castanha não engorda mais que qualquer outro alimento calórico: o que pesa é a quantidade. Uma porção de 30 g sacia bem por causa da gordura, da fibra e da proteína. Três porções beliscadas sem perceber, além da ceia, já viram uma refeição inteira.

Um jeito simples de encaixar: use a castanha como parte do prato, e não como aperitivo sem fim. Ela vai bem na salada, no arroz ou na farofa da ceia, e eu explico como montar esse prato no post o que comer na ceia de Natal. Aí você come pra matar a vontade, não a fome.

E pra quem treina?

Castanha é um ótimo lanche longe do treino, junto com uma fruta. Perto do treino, a história muda: gordura e fibra demoram mais pra sair do estômago e podem pesar na corrida. Antes de correr de manhã, prefira carboidrato de digestão rápida, como explico no guia o que comer antes de correr de manhã, e deixe a castanha pro lanche da tarde.

Resumo prático

Castanhas de Natal fazem bem quando você controla a porção. Separe uns 30 g num potinho, prefira as sem sal e sem açúcar, varie entre os tipos e fique em uma ou duas castanhas-do-pará por dia. E se a mesa ainda tiver passas, veja o que muda no post sobre uva passa.

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Perguntas frequentes

Uma ou duas por dia já cobrem bem o selênio. Como o teor varia muito de um lote pra outro, comer um punhado grande todos os dias pode passar do limite seguro de 255 µg por dia definido pela EFSA.
Todas são boas e têm calorias parecidas. A amêndoa tem mais fibra e cálcio, a castanha-do-pará tem selênio, e a noz e a castanha de caju entram bem no mix. Variar é melhor que escolher uma só.
Só quando a quantidade passa do ponto. Uma porção de 30 g tem perto de 170 a 190 kcal e sacia bem. O problema é beliscar da tigela sem contar, principalmente nas festas.
Longe do treino, sim. Logo antes, não é a melhor escolha, porque gordura e fibra demoram pra digerir e podem pesar no estômago. Perto da corrida, prefira um carboidrato leve.

Referências

  1. Núcleo de Estudos e Pesquisas em Alimentação (NEPA), Unicamp. Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (TACO). 4. ed. revisada e ampliada. Campinas: NEPA-Unicamp, 2011.
  2. EFSA Panel on Nutrition, Novel Foods and Food Allergens. Scientific opinion on the tolerable upper intake level for selenium. EFSA Journal, 2023;21(1):e07704. doi:10.2903/j.efsa.2023.7704
  3. Thomson CD, Chisholm A, McLachlan SK, Campbell JM. Brazil nuts: an effective way to improve selenium status. Am J Clin Nutr, 2008;87(2):379-384. doi:10.1093/ajcn/87.2.379
  4. Ros E. Health benefits of nut consumption. Nutrients, 2010;2(7):652-682. doi:10.3390/nu2070652
Zé Ricardo
Zé Ricardo CRN 45033

Zé Ricardo é nutricionista esportivo (CRN 45033), formado pela UFPE, especializado em alimentação para corredores. Atende no Instituto Corrêa (Boa Viagem, Recife) e online em todo o Brasil.

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