Muita gente chega no consultório já usando Mounjaro, sem nem perguntar antes. E o que mais vejo é a pessoa comendo exatamente as mesmas coisas de antes, só que em menor quantidade, porque o remédio não deixa comer mais. O peso desce, mas uma parte do que sai é músculo, e quando o remédio parar, o hábito continua o mesmo. Falei disso reagindo a um vídeo sobre a geração Mounjaro. Aqui vai o lado da comida: o que priorizar no prato pra emagrecer perdendo gordura e não músculo. Dose, indicação e se você deve ou não usar são conversa com o seu médico.
Por que a alimentação importa tanto com a caneta
O Mounjaro age na saciedade, então a fome cai muito. Isso ajuda a comer menos, mas não escolhe o que você come. Se o pouco que entra é biscoito, salgado e refrigerante, falta proteína, e o corpo tira o que precisa do músculo.
Perda de massa muscular é uma coisa que a gente vê muito no consultório. Nos grandes estudos com esses remédios, uma parte importante do peso perdido não é gordura. Num deles, com semaglutida, perto de 38% do peso que saiu foi massa magra. E perder músculo, dependendo da sua idade, é complicado de recuperar. Passou dos 50, 60 anos, ganhar massa muscular fica bem mais difícil. Pense no músculo como um banco: é bom ter uma quantidade legal estocada antes de começar a gastar. Comentei isso também reagindo a um vídeo sobre o Ozempic.
E tem um detalhe que pouca gente lembra: o remédio mexe num sinal de saciedade, mas a saciedade depende de muito mais coisa. O quanto o estômago está cheio, o tamanho do prato, o que você comeu antes. São esses outros fatores que você vai ter que dominar quando a caneta sair, e o melhor momento pra treinar é agora, enquanto a fome está mais baixa.
O passo a passo
- Passo 1, proteína primeiro: o consenso de 2025 das sociedades de obesidade e nutrição fala em 1,2 a 1,6 g de proteína por kg de peso por dia durante a fase de perda. Se a conta por quilo complicar, um alvo de 80 a 120 g por dia já é um bom norte. Comece o prato pela proteína, porque com pouca fome é ela que costuma sobrar.
- Passo 2, divida ao longo do dia: em vez de duas refeições grandes, faça um café da manhã pequeno e refeições menores a cada 3 a 4 horas, cada uma com uma fonte de proteína (ovo, frango, peixe, carne magra, iogurte, leite, queijo).
- Passo 3, musculação: treino de força pelo menos três vezes por semana é o que mais protege o músculo. Só caminhada ou corrida protege menos.
- Passo 4, água: beba ao longo do dia, e mais ainda se tiver diarreia ou vômito. Desidratação nessa situação pode virar problema sério.
- Passo 5, fibra aos poucos: a prisão de ventre é comum. Aumente frutas, legumes, aveia e feijão de forma gradual, junto com a água.
- Passo 6, qualidade do que sobra: se você vai comer pouco, que seja comida de verdade. Ultraprocessado ocupa o pouco espaço que você tem com caloria e quase nenhum nutriente.
E se a proteína não descer?
Tem dia em que a fome some e a comida não desce. Nesses dias, proteína líquida ou em pó ajuda a fechar a conta: um iogurte, um leite batido, um shake. Se você está na dúvida se vale suplemento, veja o que o whey tem de especial e o que é só proteína em pó.
Enjoo e diarreia: o que mexer na comida
Tem paciente que chega a ficar quase acamado no começo, muito enjoado, com muita diarreia, sem conseguir comer direito, e fica fraco. Isso atrapalha até o emagrecimento, porque sem energia não tem treino. Algumas coisas na alimentação ajudam a estabilizar:
- Refeições menores. Prato grande aumenta a chance de vômito.
- Menos fritura e comida gordurosa nos primeiros dias, que pioram o enjoo e a diarreia.
- Pouca bebida alcoólica, que piora enjoo e refluxo.
- Coma devagar e pare quando sentir que chegou.
É normal que esses efeitos melhorem com o tempo. Se não melhorarem, ou se você não consegue comer nem beber direito, fale com o médico que prescreveu.
Comendo muito pouco: atenção às vitaminas
Quando a comida do dia fica muito baixa, falta mais do que proteína. O consenso de 2025 chama atenção pra ferro, cálcio, magnésio, zinco, vitamina D, vitamina B12 e outras vitaminas, principalmente quando a mulher come menos de 1.200 kcal por dia ou o homem menos de 1.800. Variar as cores no prato ajuda, mas nesses casos vale avaliar com um nutricionista para emagrecimento em Recife e o seu médico se precisa de exame ou suplemento.
Erros mais comuns
O primeiro é o que abri o post: tomar o remédio e continuar comendo as mesmas coisas em menor quantidade. O segundo é passar o dia sem comer e fazer uma refeição só à noite, que derruba a proteína e aumenta o enjoo. O terceiro é comemorar perda muito rápida com diarreia, como se fosse vitória. Parte desse peso é água e músculo, não gordura.
E o quarto, que aparece meses depois: achar que o remédio resolve sozinho. Quando a pessoa para e não construiu hábito nenhum, a fome volta e o peso vem junto. O remédio funciona melhor como parte do tratamento, não como o tratamento inteiro. É o mesmo mecanismo do efeito sanfona.
Resumo prático
Com Mounjaro, a quantidade cai sozinha, então o seu trabalho é a escolha. Bata a proteína dividida no dia, faça musculação, beba água, aumente a fibra aos poucos e use esse período pra aprender a comer do jeito que você vai manter quando a caneta sair. Comece amanhã pelo café da manhã: coloque uma proteína nele.
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Perguntas frequentes
Referências
- Mozaffarian D, Agarwal M, Aggarwal M, et al. Nutritional priorities to support GLP-1 therapy for obesity: a joint Advisory from the American College of Lifestyle Medicine, the American Society for Nutrition, the Obesity Medicine Association, and The Obesity Society. Obesity, 2025.
- Wilding JPH, Batterham RL, Calanna S, et al. Once-weekly semaglutide in adults with overweight or obesity (STEP 1). N Engl J Med, 2021.
- Jastreboff AM, Aronne LJ, Ahmad NN, et al. Tirzepatide once weekly for the treatment of obesity (SURMOUNT-1). N Engl J Med, 2022.