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Obesidade tem cura? Por que quem emagreceu engorda mais fácil

Obesidade tem cura? Por que quem emagreceu engorda mais fácil

Obesidade tem cura? A resposta mais honesta hoje é que ela é uma doença crônica: dá para tratar e controlar, mas a tendência de o corpo voltar a ganhar peso continua ali. Eu comentei isso neste vídeo, e aqui vou explicar o que significa “crônica”, por que quem já emagreceu muito engorda mais fácil e o que fazer com essa informação sem culpa e sem promessa milagrosa.

Obesidade tem cura?

Hoje a obesidade é tratada como doença crônica, e não como algo que se vence uma vez e some. Ela pode ser tratada e controlada, e muita gente mantém o peso perdido por anos, mas o corpo tende a querer voltar ao peso anterior. Por isso, o cuidado com alimentação e atividade física continua depois da meta.

De onde vem a ideia de “vencer a obesidade”?

Vem da cultura da superação, que é bonita e que ajuda muita gente a começar. O problema é a linha de chegada que ela sugere: perdeu o peso, ganhou a luta, acabou. Eu falei no vídeo, sobre essa frase: ninguém vence a obesidade, obesidade é uma doença crônica. E dei a consequência prática. Quem já foi obeso vai passar a vida cuidando disso, porque o corpo vai tender a querer voltar. Esse cuidado de longo prazo é o que um nutricionista para emagrecimento em Recife ajuda a organizar.

Não é uma notícia ruim e não é o fim do mundo. É a mesma lógica de quem controla a pressão alta ou a diabetes: o tratamento não termina no dia em que o exame melhora.

Por que quem já emagreceu muito engorda mais fácil?

Porque o corpo guarda a “memória” do peso mais alto. Estudos que acompanharam pessoas depois de uma perda de peso mostraram que, um ano depois, hormônios ligados à fome e à saciedade continuavam alterados, empurrando para comer mais. E há um efeito simples de ponto de partida:

Para uma pessoa que nunca teve 10 kg a mais, ganhar 10 kg é um esforço. Para alguém que já teve 20, 30, 40 kg a mais, ganhar 5 kginhos é muito, muito mais fácil.

Eu digo isso por causa própria. Eu perdi cerca de 25 kg, mais ou menos, e já era nutricionista. O que eu aprendi é que o trabalho não termina com a meta, ele muda de forma. Em vez de dieta para perder, passa a ser rotina para manter, e o peso de alerta, a atividade física e a comida do dia a dia viram parte da vida.

O que a ciência diz sobre obesidade ser uma doença crônica?

As principais organizações da área, no Brasil e fora dele, tratam a obesidade como doença crônica e recidivante, ou seja, que volta se o cuidado para. Uma comissão internacional publicada recentemente reforçou essa visão e propôs critérios para diferenciar quem tem obesidade com sinais de doença de quem tem apenas excesso de gordura, para orientar o tratamento. Isso importa porque tira o peso da culpa: obesidade não é falta de caráter. É uma condição de saúde com causas biológicas, comportamentais e do ambiente, e com tratamento.

Dá para manter o peso perdido?

Dá. Os estudos com quem mantém a perda por muitos anos mostram um padrão: atividade física frequente, alimentação parecida durante a semana e no fim de semana, acompanhamento do peso e reação rápida quando ele começa a subir. Não há dieta mágica nessa lista, há rotina. Eu explico a lógica do que sustenta o resultado no post de efeito sanfona e no resumo do vídeo sobre a dieta que não resolve.

O que fazer na prática se você tem obesidade?

  • Procure uma equipe. O diagnóstico e o plano de tratamento passam por médico e nutricionista, e muitas vezes psicólogo e educador físico. O tratamento é definido por quem acompanha você.
  • Pense em manutenção desde o começo. Escolha mudanças que você conseguiria manter daqui a dois anos, não só nas próximas oito semanas.
  • Tenha um peso de alerta. Defina o número que, ao aparecer, é o sinal para reagir cedo, antes de a balança chegar longe.
  • Mexa o corpo todos os dias. Caminhar na orla de Boa Viagem no fim da tarde conta, mesmo quando não é treino.
  • Cuide da comida sempre. Não precisa ser perfeita. Precisa ser mais consistente que a média.

Se o seu tratamento inclui medicamento prescrito pelo médico, a comida e o comportamento continuam sendo parte do cuidado. Eu falei do lado da alimentação no post dieta com Mounjaro e no resumo do vídeo sobre canetas.

Veredito

Falar em cura promete mais do que a ciência entrega. O mais preciso é dizer que a obesidade tem tratamento e pode ser controlada, e que o controle depende de manter o cuidado. Isso não é uma sentença: é um jeito realista de planejar, com acompanhamento e sem vergonha.

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Perguntas frequentes

Hoje é tratada como doença crônica. Pode ser tratada e controlada, e muita gente mantém o peso perdido por anos, mas a tendência de ganhar peso de novo continua, por isso o cuidado continua depois da meta.
Porque o corpo tende a voltar ao peso anterior. Depois de uma perda de peso, hormônios ligados à fome e à saciedade podem continuar alterados por muito tempo, e o ponto de partida mais alto torna o ganho mais fácil.
É uma condição de saúde crônica, com causas biológicas, comportamentais e do ambiente. Tratar como falta de força de vontade só traz culpa e atrasa o cuidado.
Dá. Quem mantém costuma ter atividade física frequente, alimentação parecida durante a semana e no fim de semana, acompanhamento do peso e reação rápida quando ele sobe.
O diagnóstico e o plano de tratamento passam por médico e nutricionista, e muitas vezes psicólogo e educador físico. O tratamento é definido por quem acompanha você.

Referências

  1. Bray GA, Kim KK, Wilding JPH; World Obesity Federation. Obesity: a chronic relapsing progressive disease process. A position statement of the World Obesity Federation. Obesity Reviews, 2017;18:715-723. doi:10.1111/obr.12551
  2. Sumithran P, Prendergast LA, Delbridge E, et al. Long-term persistence of hormonal adaptations to weight loss. New England Journal of Medicine, 2011;365:1597-1604. doi:10.1056/NEJMoa1105816
  3. Wing RR, Phelan S. Long-term weight loss maintenance. American Journal of Clinical Nutrition, 2005;82(1 Suppl):222S-225S. doi:10.1093/ajcn/82.1.222S
  4. Rubino F, Cummings DE, Eckel RH, et al. Definition and diagnostic criteria of clinical obesity. Lancet Diabetes & Endocrinology, 2025;13:221-262. doi:10.1016/S2213-8587(24)00316-4
Zé Ricardo
Zé Ricardo CRN 45033

Zé Ricardo é nutricionista esportivo (CRN 45033), formado pela UFPE, especializado em alimentação para corredores. Atende no Instituto Corrêa (Boa Viagem, Recife) e online em todo o Brasil.

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