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Nutrição Esportiva

Pipoca proteica vale a pena? E barrinha e água proteica?

Pipoca proteica vale a pena? E barrinha e água proteica?

A pipoca proteica virou uma das pontas da onda de produtos com proteína adicionada, junto de barrinha, shake e até água. Reagi a isso neste vídeo, e a resposta curta é: depende da porção e da caloria que vem junto, não do selo na frente da embalagem. Vou separar o que ajuda do que só encarece.

De onde vem essa ideia

Proteína virou o nutriente da vez. Quem treina quer bater meta, e a indústria percebeu que dá pra cobrar mais caro por qualquer coisa com “proteína” escrito na frente. Resultado: produto que sempre teve proteína passa a anunciar, e produto que nunca teve passa a receber um pouco.

O ponto é que o selo diz pouco. Um chocolate com “3 g de proteína” na frente tem 3 g de proteína, o que não muda o seu dia. Um shake de lanchonete com 20 g de proteína e centenas de calorias continua sendo milkshake, e milkshake não é fonte de proteína. No vídeo sobre as canetas e o fast food falei da mesma lógica: a pessoa quer comer a mesma coisa, só que com um selinho de “tenho proteína, sou fit”. Todo o resto é ruído. Para escolher o que entra no seu lanche, um nutricionista esportivo online pode ajudar.

Pipoca proteica vale a pena?

Vale se a tabela justificar o preço. Compare gramas de proteína e calorias por porção com a pipoca comum e olhe o tamanho da porção. Pipoca é um lanche bom e barato, com bastante carboidrato, e serve inclusive de pré-treino. A versão proteica só compensa se entregar proteína de verdade sem inflar as calorias.

Faça a conta com a embalagem na mão. Se a tabela diz 7 g por porção e o saco tem duas porções, são 14 g no saco inteiro. Agora veja as calorias dessas duas porções e compare com uma barrinha ou um iogurte com proteína, que entregam parecido. Se estiverem próximos, tanto faz. Se a pipoca tem muito mais calorias para entregar pouca proteína, ela é um petisco comum com marketing de suplemento.

Na rotina, eu uso assim: a pipoca encaixa bem na correria. Saiu tarde do trabalho e vai treinar? Um ou dois saquinhos de pipoca, dependendo do tamanho e da sua dieta, funcionam como pré-treino. Depois do treino, um jantar com proteína de verdade fecha o dia.

Barrinha de proteína vale a pena?

Vale como lanche de emergência, quando você está na rua e não tem outra opção. Não vale como substituto de refeição todo dia. Algumas são gostosas e entregam uma boa quantidade de proteína, outras são doces demais, pesadas de mastigar e carregadas de adoçante. Leia a lista de ingredientes e a tabela, e compare mais de uma marca.

O problema é a pessoa que passa a trocar refeição por barrinha. Aí a comida deixa de ser comida e vira meta a ser batida. A barrinha completa a rotina, não manda nela.

Água proteica vale a pena?

Em geral, não compensa. Boa parte das águas proteicas usa proteína de colágeno, que tem perfil de aminoácidos mais limitado do que o do leite, do ovo e da carne. E contar esses gramas como proteína para construir músculo exagera o que o produto entrega.

Uma dúvida comum é se o corpo “consegue absorver” tanta proteína de colágeno. Consegue. Isso era mito. Colágeno é proteína: o corpo digere, separa em aminoácidos e usa onde precisa. Por isso a promessa de que beber colágeno vira colágeno na pele é maior do que a evidência. Se você quer proteína líquida, um copo de leite ou um whey de verdade, dissolvido à parte, resolve por menos.

Proteína adicionada não faz um produto melhor. A sua meta do dia é o que importa, e ela se bate com comida e, se precisar, com whey.

Quanta proteína você precisa de verdade?

Para ganhar massa muscular, a faixa que a literatura sustenta fica entre 1,6 e 2,2 g por kg de peso por dia. Para quem não treina para hipertrofia e quer saúde, em geral menos que isso basta. Numa pessoa de 70 kg que treina, 1,6 g/kg dá 112 g por dia, o que se alcança com refeições normais, sem água proteica.

Se você tem dificuldade de fechar essa conta com comida, o suplemento mais simples é o whey, e eu expliquei quando ele faz sentido no post sobre os benefícios do whey protein. A meta é a mesma, a ferramenta é que muda. Quem tem alguma doença renal ou condição clínica deve ajustar a quantidade com seu médico e nutricionista.

Na prática, o que fazer

  • Ignore o selo da frente e vá para a tabela: proteína por porção, calorias por porção e tamanho da porção.
  • Compare com o que você já come. Pipoca comum, ovo, iogurte e queijo muitas vezes entregam o mesmo por menos.
  • Use o produto como conveniência, não como solução. Barrinha na mochila, sim. Barrinha no lugar do almoço, não.
  • Se a compra vira desculpa para comer a embalagem inteira “porque é fit”, o produto não ajudou.

Veredito

Pipoca proteica e barrinha valem em casos específicos e dependem da tabela. Água proteica raramente compensa. O que ganha resultado é bater a meta de proteína do dia com comida comum e, quando preciso, um suplemento simples.

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Perguntas frequentes

Nenhum produto emagrece sozinho. A pipoca proteica pode ajudar se tiver poucas calorias por porção e substituir um lanche pior. Se você come o saco todo por achar que é fit, o efeito é o contrário.
Como emergência, sim. Todo dia, não. Uma refeição completa tem mais variedade e saciedade, e a barrinha deve ficar como complemento para o dia corrido.
O corpo aproveita a proteína, mas a de colágeno é de qualidade mais limitada para construir músculo. Em geral, um copo de leite ou um whey dissolvido à parte entrega mais pelo mesmo gasto.
A literatura sustenta de 1,6 a 2,2 g por kg de peso por dia. Pessoas com doença renal ou outra condição clínica precisam ajustar com o médico e o nutricionista.

Referências

  1. Morton RW, Murphy KT, McKellar SR, et al. A systematic review, meta-analysis and meta-regression of the effect of protein supplementation on resistance training-induced gains in muscle mass and strength in healthy adults. Br J Sports Med, 2018. doi:10.1136/bjsports-2017-097608.
  2. Jäger R, Kerksick CM, Campbell BI, et al. International Society of Sports Nutrition Position Stand: protein and exercise. J Int Soc Sports Nutr, 2017. doi:10.1186/s12970-017-0177-8.
  3. FAO. Dietary protein quality evaluation in human nutrition: report of an FAO Expert Consultation. FAO Food and Nutrition Paper 92, Rome, 2013.
Zé Ricardo
Zé Ricardo CRN 45033

Zé Ricardo é nutricionista esportivo (CRN 45033), formado pela UFPE, especializado em alimentação para corredores. Atende no Instituto Corrêa (Boa Viagem, Recife) e online em todo o Brasil.

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