Muita gente acredita que, depois de emagrecer, só resta viver de dieta para sempre ou aceitar que o peso volta. Nenhuma das duas coisas é verdade. Para manter o peso depois de emagrecer, você precisa de uma rotina enxuta que consiga repetir quase sem pensar: movimento no dia, refeições com padrão parecido de segunda a domingo e um jeito de acompanhar o peso. A dieta que fez você perder não é a que faz você manter, e este post mostra a diferença.
Eu falo disso no consultório o tempo todo e contei neste vídeo: o que importa não é fazer uma dieta de cinco ou seis meses, é virar a pessoa capaz de construir o resultado e também de mantê-lo. Como costumo dizer, “ninguém faz uma meia maratona, você vira meio maratonista”, e com o peso é parecido. Boa parte dos pacientes que chegam até mim já emagreceu antes e perdeu tudo de novo. Os que hoje mantêm o resultado não estão perfeitamente alinhados com a dieta: o que sustenta é o comportamento.
O que as pessoas que mantêm o peso têm em comum?
Elas repetem poucos hábitos, todos os dias. Os registros de quem perdeu muito peso e manteve por anos mostram atividade física regular, em torno de 1 hora por dia, café da manhã, acompanhamento do peso e um padrão alimentar parecido na semana e no fim de semana. Nenhuma dieta mágica aparece na lista.
A revisão que reuniu esses dados estima que cerca de 20% das pessoas com sobrepeso conseguem manter a perda a longo prazo. É uma minoria, mas é uma minoria que existe e que deixou rastros de como fez.
Manter o peso fica mais fácil com o tempo?
Sim. Segundo a mesma revisão, a manutenção tende a ficar mais fácil conforme os meses passam e o novo jeito de viver vira o normal. O começo, nos primeiros meses depois da meta, é o período de maior atenção.
Isso muda a expectativa: se hoje parece que você precisa se policiar o tempo todo, é a fase de aprendizado, e ela não dura para sempre. Quem desiste nessa hora geralmente interpreta o esforço como sinal de que não vai dar certo. O esforço mostra que a habilidade ainda está sendo construída. Se você quer entender por que o peso volta para tanta gente, leia efeito sanfona e o resumo do vídeo em por que a dieta não resolve o efeito sanfona.
O que fazer nas primeiras semanas depois de chegar no peso?
Não pare tudo no dia em que bater a meta. Saia do déficit aos poucos, subindo a comida em passos pequenos e observando a média do peso por duas ou três semanas antes do próximo passo. O objetivo é descobrir quanto você pode comer para ficar estável, e isso só se aprende testando. Um nutricionista para emagrecimento em Recife acompanha esse teste com você.
- Suba as calorias devagar: acrescente comida de forma planejada, como um lanche a mais ou porções maiores de carboidrato nos dias de treino, e acompanhe a média da semana.
- Mantenha a proteína e o treino: são eles que seguram a massa muscular. Veja o cálculo em quanto de proteína por dia para emagrecer.
- Pese-se com regularidade: o número isolado de um dia engana, a média da semana mostra a tendência.
- Defina seu peso de alerta: uma faixa que, ao aparecer, dispara ajustes pequenos antes que o peso fuja.
- Mantenha o padrão no fim de semana: a diferença entre os dias é onde muita manutenção escorrega. Planeje o prazer, como mostro em refeição livre ou dia do lixo.
Na prática, funciona assim: bateu a meta, acrescente uma refeição ou uma porção maior por vez, espere duas semanas e olhe a média do peso. Se ficou estável, está no caminho. Se subiu, volte um passo. Esse processo parece lento, mas é o que ensina o seu corpo e a sua rotina a conviverem com o peso novo. Quem salta direto do déficit para “voltar a comer normal” costuma descobrir o limite pela balança, e já com alguns quilos de volta.
Também vale ter claro o que não muda: o treino. Quem emagreceu e mantém atividade regular tem mais margem para comer, mais massa muscular e uma rotina que sustenta o resto. Não precisa ser treino pesado todos os dias, precisa ser o que você consegue repetir na semana com trabalho, calor de Recife e imprevisto incluídos.
E se o peso começar a voltar?
Ganhar um ou dois quilos depois de uma viagem, uma semana puxada ou uma fase de estresse é normal e não é sinal de que tudo foi perdido. O erro mais comum é reagir com uma dieta radical para compensar, que traz de volta a fome e o ciclo de antes. Volte à rotina que funcionava, ajuste as refeições que escorregaram e acompanhe a média das próximas semanas.
Se o peso sobe por mais de um mês mesmo com a rotina em dia, vale uma revisão com profissional. E se você sente que a fome ficou grande demais depois de emagrecer, leia fome na dieta, porque a fome costuma ficar mais alta por bastante tempo depois de emagrecer: em um estudo com 50 adultos, vários hormônios do apetite seguiam alterados um ano depois da dieta. Saber disso ajuda a lidar sem culpa. Se a dúvida é sobre o metabolismo, veja metabolismo lento.
Por onde começar hoje?
Escolha um hábito da lista, o que for mais fácil para a sua semana, e repita por duas semanas. Quando ele estiver automático, adicione o próximo. É mais lento que prometer uma virada, mas é assim que o resultado vira rotina. Se o peso parou antes de chegar na meta, o assunto é outro: veja parei de emagrecer.
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Continue no mesmo assunto:
- Não consigo emagrecer mesmo treinando: o que checar primeiro
- Efeito sanfona: por que você engorda de novo depois da dieta
- Por que a dieta não resolve o efeito sanfona
- Refeição livre ou dia do lixo
Perguntas frequentes
Referências
- Wing RR, Phelan S. Long-term weight loss maintenance. Am J Clin Nutr, 2005;82(1 Suppl):222S-225S.
- Sumithran P, Prendergast LA, Delbridge E, et al. Long-term persistence of hormonal adaptations to weight loss. N Engl J Med, 2011;365(17):1597-1604.