Saber quando começar a introdução alimentar tira muita ansiedade da casa. A resposta do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Pediatria é a mesma: aos 6 meses, com o leite materno continuando. Aqui você vê por que não antes, quais sinais mostram que o bebê está pronto, o que fazer se alguém sugerir começar aos 5 meses e como são os primeiros dias.
Quando começar a introdução alimentar?
Aos 6 meses de vida. Até lá, o Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 Anos, do Ministério da Saúde, recomenda só leite materno, sem água, chá, suco ou papinha. Depois, a comida entra junto com o leite, que segue até os 2 anos ou mais. Para bebê prematuro, quem define o início é o profissional de saúde.
No consultório é comum a mãe chegar com a papinha pronta no quarto mês, porque alguém da família disse que o bebê “já está pedindo comida”. Olhar com vontade para o prato dos adultos não é sinal suficiente. O corpo do bebê precisa estar pronto, e isso acontece por volta dos 6 meses.
Por que não começar antes dos 6 meses?
Porque é desnecessário e pode atrapalhar. O Guia do Ministério da Saúde explica que oferecer outros alimentos antes dos 6 meses aumenta o risco de a criança ficar doente, pode prejudicar a absorção de ferro e zinco do leite materno e faz o bebê mamar menos. Além disso, em geral ele só está maduro para comer em torno dessa idade.
Isso vale também para a água. O Guia é claro: mesmo em regiões secas e quentes, o bebê em amamentação exclusiva não precisa de água, porque o leite materno hidrata. No calor de Recife ele pode querer mamar mais vezes, e isso resolve a sede. A avó que manda dar água de coco quer ajudar, mas nessa fase ela entra no lugar do leite.
Introdução alimentar com 5 meses, pode?
A recomendação é esperar os 6 meses. A SBP reconhece que existem orientações de início entre 4 e 6 meses, mas prefere os 6 meses, quando o desenvolvimento e os sistemas digestivo e renal estão prontos, e mantém essa idade mesmo para o bebê que não toma leite materno. Antecipar só com indicação do pediatra, caso a caso.
O Guia do Ministério diz o mesmo para quem usa fórmula infantil: os novos alimentos, inclusive a água, entram a partir dos 6 meses. Quando há uma situação específica, a conduta é do profissional que acompanha a família, e não da comparação com o filho da vizinha.
Quais são os sinais de que o bebê está pronto?
Por volta dos 6 meses, a maioria dos bebês senta com pouco ou nenhum apoio, diminui o movimento de empurrar a comida para fora com a língua, faz movimentos de mastigação e mostra interesse pela comida. Ele não precisa ter dentes: consegue comer alimento amassado com garfo mesmo sem nenhum.
Um detalhe que assusta muitos pais: o bebê nasce com o reflexo de pôr a língua para fora, que ajuda a mamar. Segundo o Guia, ele diminui a partir dos 4 ou 5 meses, mas pode aparecer aos 6. Cuspir a primeira colher nem sempre é recusa.
O que a SBP fala sobre introdução alimentar?
A Sociedade Brasileira de Pediatria defende amamentação exclusiva até os 6 meses e mantida até os 2 anos ou mais. Nos 6 meses entram frutas amassadas ou raspadas e a primeira papa principal. A segunda papa entra entre o 7º e o 8º mês, e por volta dos 12 meses a criança passa para a comida da família.
Desde a primeira papa, o prato leva cereal ou tubérculo, feijão, carne ou ovo e legumes, com temperos naturais. A SBP fala em não adicionar sal, e o Ministério da Saúde, em quantidade mínima. As duas concordam: nada de açúcar antes dos 2 anos.
Como iniciar a introdução alimentar?
Comece com três refeições por dia: o almoço e dois lanches de fruta, ou almoço, jantar e um lanche. O Guia não define qual vem primeiro, mas, ao completar 7 meses, as três já devem estar na rotina. O leite materno continua sob livre demanda, e a água entra em copo, nos intervalos entre as refeições.
- Consistência: amasse com garfo. O Guia pede para não liquidificar nem peneirar, porque a criança precisa aprender a mastigar.
- Prato separado: sirva cada alimento no seu canto, sem misturar, para o bebê conhecer cada sabor e cor.
- Quantidade: o Guia sugere começar com cerca de 1 colher de sobremesa de cada grupo, chegando a umas 2 ou 3 colheres de sopa no total. É referência, não meta. Quem diz quanto come é ele.
- Comida da família: o mesmo feijão, a mesma abóbora e a mesma carne da casa, com tempero natural, sem caldo pronto em cubo ou em pó.
- Sem açúcar e sem mel: nada de açúcar até os 2 anos. O mel tem um cuidado a mais, que expliquei em criança pode comer mel.
E se o bebê recusar?
No começo ele vai provar mais do que comer, e está tudo certo. Se recusar um alimento, espere alguns dias e ofereça de novo junto com algo que ele já aceita. Se continuar recusando, mude o preparo: a cenoura amassada pode virar um pedaço maior para ele pegar com a mão. O raciocínio de oferecer de novo sem pressão é o mesmo que mostrei em como fazer criança comer legumes.
Como saber se ele está comendo o suficiente?
Pelo crescimento, e não pelo prato vazio. O Guia do Ministério da Saúde diz que a melhor forma de saber se a quantidade está adequada é acompanhar peso e altura na curva da Caderneta da Criança, com o pediatra. Se ele cresce bem, a alimentação está funcionando, mesmo nos dias em que come pouco.
Dente nascendo e doença podem diminuir a aceitação por alguns dias. Se a recusa vira rotina ou o crescimento sai da curva, procure o pediatra e um nutricionista infantil. Mais adiante, a lógica de montar a semana está em cardápio infantil, e os princípios gerais em alimentação infantil saudável.
Por onde começar na prática?
Espere os 6 meses e observe se ele senta com pouco apoio e mostra interesse pela comida. Comece com três refeições, comida da família amassada com garfo, água em copo e nada de açúcar. Mantenha o leite materno sob livre demanda e acompanhe o crescimento com o pediatra nas consultas de rotina.
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Perguntas frequentes
Referências
- Ministério da Saúde. Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 Anos. Brasília, 2019.
- Sociedade Brasileira de Pediatria. Posição da Sociedade Brasileira de Pediatria diante do Guia de Alimentação do Ministério da Saúde. Rio de Janeiro, 2019.
- Sociedade Brasileira de Pediatria. Manual de Alimentação: orientações para alimentação do lactente ao adolescente, na escola, na gestante, na prevenção de doenças e segurança alimentar, 4ª edição. Departamento Científico de Nutrologia, 2018.