O que um atleta de treino híbrido come em um dia? Um atleta que junta corrida e musculação mostrou o dia inteiro de alimentação, e eu reagi, comentando alimento por alimento. Neste vídeo, o que mais chama a atenção é quanto suplemento entra no lugar da comida. Este resumo traz os pontos principais e o que você pode aproveitar na sua rotina.
O que o vídeo mostra e o que ele responde?
Mostra o dia de um atleta que corre, treina perna na academia e come em função disso. Responde a três dúvidas comuns: dá para juntar corrida com musculação, a alimentação de quem treina muito precisa de mais comida do que suplemento e dá para confiar nas calorias do relógio. Eu comento cada ponto.
Dá para treinar perna e correr no mesmo dia?
Dá, e muita gente faz. Quando há muitos treinos de corrida, é difícil intercalar com treino de perna sem perder qualidade em um dos dois. Concentrar o desgaste da perna no mesmo dia e descansar no seguinte é uma estratégia que treinadores usam, com ajuste de volume e intensidade feito por quem monta o seu treino.
No vídeo eu digo que existe “um limite do quanto de desgaste ela aguenta naquele dia”, então a lógica é gastar a perna de uma vez e voltar a correr depois do descanso. Também falo que “tudo aquilo que tu tenta equilibrar mais de uma coisa ao mesmo tempo vai ser um pouco mais devagar”. Depende da fase: perto da prova alvo, a corrida manda. Passada a prova, sobra espaço para a academia. Equilibrar os dois exige tempo, dieta certinha e um pouco de genética, e não é para todo mundo.
Suplemento pode ocupar o lugar da comida?
Não. O suplemento ajuda a completar o que falta, mas a alimentação tem que ser o carro-chefe. Quando o dia tem mais suplemento do que comida de verdade, falta qualidade nutricional e a fome aparece. É o que eu comento no vídeo: “você não tá se relacionando com a comida, tá se relacionando com o suplemento”.
Corrida aumenta a fome, e comida de verdade ajuda a segurar essa fome. Se você não prioriza comida de verdade, vai sentir mais fome, e isso estraga o processo. Se você quer entender os suplementos mais comuns, veja o que expliquei em carbogel: para que serve e benefícios do whey protein. Outro ponto que comentei: quanto mais você varia os vegetais, maior a chance de cobrir o nutriente que falta, e vegetal cozido tem um padrão de nutrientes diferente do cru.
Quanto carboidrato quem corre muito precisa?
Para quem treina de uma a três horas por dia, o posicionamento de nutrição esportiva fala em 6 a 10 gramas de carboidrato por quilo por dia. Para 70 kg, isso dá de 420 a 700 gramas. No vídeo, a comida do dia trazia pouco carboidrato para esse volume, e a maior parte vinha do suplemento.
Pelo que dava para ver, o prato tinha uns 200 g de batata, 30 g de aveia e frutas vermelhas, que têm pouco carboidrato por porção. Por isso eu disse que o carboidrato do dia parecia vir mais da suplementação do que da comida. Para o seu caso, o número exato depende do peso e do treino, e um nutricionista esportivo online ajusta.
Dieta alta em gordura serve para quem corre?
Não é o padrão para quem corre muito. No treino híbrido, a gente costuma deixar a gordura residual, subir o carboidrato e manter a proteína numa margem boa para a hipertrofia, de 1,6 a 2,2 g por quilo. Carne muito gordurosa todo dia não é a melhor escolha, mesmo com volume alto de treino.
Também comentei um detalhe prático: o roast beef pronto pode ter conservantes e lembra embutido. Dá para fazer em casa com um pedaço de lagarto temperado, na air fryer embrulhado em papel alumínio, e deixar um dia na geladeira, enrolado em plástico filme.
O relógio mostra as calorias que você gastou?
Mostra uma estimativa, e a margem de erro pode passar de 20%. O relógio mede bem a frequência cardíaca, mas calcula as calorias a partir dela e do tempo, e a frequência cardíaca não é um bom preditor do gasto de energia. Num estudo com aparelhos de pulso, o erro mediano na energia gasta ficou entre 27% e 93%.
No vídeo eu aviso para não exagerar na comida porque o relógio mostrou 3.000 calorias queimadas e “então preciso repor”. As outras métricas, como batimentos e tempo, são ótimas. Quem infere por cálculo tem margem de erro grande.
Comer intuitivo funciona para quem treina muito?
Funciona melhor para quem tem a intuição treinada. O atleta disse que não rastreia mais calorias, e eu comentei que ele é fora da curva, com volume alto de treino. A maioria das pessoas não pode se dar o luxo de não saber quanto está comendo. Expliquei o raciocínio no post comer intuitivo funciona?.
O que fazer com isso na sua rotina?
Priorize comida de verdade nas refeições e use o suplemento como extra. Ajuste o carboidrato ao volume de treino, trate as calorias do relógio como estimativa e, se treina perna e corre, combine com o seu treinador o que fica no mesmo dia.
- Prato primeiro: proteína, carboidrato e vegetais variados em cada refeição. O suplemento completa o que faltar.
- Carboidrato por volume: quem treina muito precisa de bastante carboidrato, e fruta de pouca caloria e batata em porção pequena não bastam.
- Relógio como apoio: use frequência cardíaca e tempo para guiar o treino, e não para decidir quanto comer.
- Treino combinado: perna e corrida no mesmo dia pedem ajuste de volume com o treinador.
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Perguntas frequentes
Referências
- Thomas DT, Erdman KA, Burke LM. Position of the Academy of Nutrition and Dietetics, Dietitians of Canada, and the American College of Sports Medicine: Nutrition and Athletic Performance. Med Sci Sports Exerc, 2016;48(3):543-568. doi:10.1249/MSS.0000000000000852
- Shcherbina A, Mattsson CM, Waggott D, et al. Accuracy in wrist-worn, sensor-based measurements of heart rate and energy expenditure in a diverse cohort. J Pers Med, 2017;7(2):3. doi:10.3390/jpm7020003
- Brasil. Ministério da Saúde. Guia Alimentar para a População Brasileira. 2ª ed., 2014.