← Voltar ao blog Falar com Zé
← Emagrecimento
Emagrecimento

Metabolismo lento engorda? Quase nunca é isso, veja por quê

Metabolismo lento engorda? Quase nunca é isso, veja por quê

“Meu metabolismo é lento” é a explicação mais comum de quem come pouco, treina e não vê a balança mexer. Metabolismo lento engorda? Na grande maioria dos casos, não. O que costuma estar errado é a conta: o gasto é superestimado e o consumo é subestimado, e as duas coisas juntas escondem o déficit que nunca aconteceu. Comentei um pedaço disso neste vídeo, e aqui vou mostrar como checar o seu caso.

Metabolismo lento engorda?

Quase nunca. O gasto de energia de um adulto saudável é bem previsível pelo tamanho do corpo, e as diferenças entre pessoas parecidas são pequenas perto do erro que se comete ao estimar quanto se come e quanto se gasta. Culpar o metabolismo costuma esconder uma conta mal feita, e a conta dá para refazer, sozinho ou com um nutricionista para emagrecimento em Recife.

Um estudo que analisou o gasto de energia de pessoas de 8 dias a 95 anos mostrou que, ajustado pela massa livre de gordura, o gasto fica estável dos 20 aos 60 anos. Ou seja, o metabolismo não desaba aos 30 nem aos 40, como se costuma dizer.

O gasto do dia tem três partes: o repouso, que é a maior; a digestão dos alimentos; e o movimento, dentro e fora do treino. A parte que mais varia entre pessoas e entre dias é o movimento, e é justamente a que mais se superestima, como o estudo a seguir mostra.

Metabolismo lento existe?

Existe como diagnóstico, e é raro. O hipotireoidismo é o exemplo clássico, confirmado por exame de sangue pedido por médico. Se você sente cansaço fora do comum, intolerância ao frio, queda de cabelo ou alteração no ciclo menstrual, leve isso ao médico antes de ajustar a dieta.

Fora de uma causa clínica, a explicação costuma estar na conta de entrada e saída, como mostro a seguir.

Como saber se tenho metabolismo lento?

Medindo o que você realmente come e a evolução do peso por algumas semanas, não por sensação. A resposta mais honesta sai de duas fontes: um registro fiel da ingestão e a média semanal do peso, sem confiar na memória nem no relógio. Depois de duas semanas de registro, o quadro costuma ficar claro.

Há um estudo clássico sobre isso. Pesquisadores avaliaram dez pessoas com obesidade que diziam não emagrecer mesmo comendo menos de 1.200 kcal por dia. O gasto de repouso e o gasto total delas estavam dentro de 5% do previsto para a composição corporal. O que estava fora era o relato: elas subestimaram a própria ingestão em média em 47% e superestimaram a atividade física em 51%. Não era mentira, era a memória falhando no beliscado, na segunda porção, no suco da tarde.

O mesmo vale para o gasto que o relógio mostra. Num teste com sete aparelhos de pulso comparados a calorimetria indireta, nenhum teve erro abaixo de 20% na estimativa de gasto de energia. Eu falei disso quando comentei a rotina de um atleta:

Nenhum relógio vai te mostrar com eficiência a quantidade de caloria que você queimou. A margem de erro pode chegar a 20% para mais ou para menos.

Foi o que eu disse no vídeo, e completei com o cuidado prático: não exagere na comida porque o relógio marcou 3.000 calorias e você acha que precisa repor.

Como o acompanhamento mostra o seu gasto de verdade?

Pelo caminho inverso: em vez de calcular o gasto por fórmula, observo o que a pessoa come quando o peso fica parado. Se a média de sete dias se mantém estável por duas ou três semanas, o que você comeu nesse período é, na prática, o seu gasto.

A partir dele, se monta um déficit pequeno e se confere a média da semana seguinte. É simples e não depende de aparelho nem de fórmula.

  • Registre de verdade por 14 dias, incluindo bebidas, molhos, azeite e o fim de semana.
  • Pese-se em condições parecidas e use a média de sete dias, não o número de um dia.
  • Conte os passos do dia inteiro, não só o treino.

Se mesmo assim a conta fechar e o peso não mudar, aí sim vale uma avaliação clínica. Falei de outras causas no post sobre não consigo emagrecer mesmo treinando.

E depois de emagrecer, o metabolismo fica lento?

Fica um pouco mais econômico, mas a fome sobe mais do que o gasto cai. Um corpo menor gasta menos, e há uma adaptação extra pequena, bem menor que o aumento do apetite.

Num estudo de 52 semanas, o apetite aumentou de forma proporcional ao peso perdido, levando a comer cerca de 100 kcal por dia a mais para cada quilo perdido, mais de três vezes o tamanho da adaptação do gasto. Por isso o platô de quem emagrece costuma vir da fome e da rotina, e não de um metabolismo quebrado. Aprofundo isso no post parei de emagrecer e, para quem já emagreceu, no de como manter o peso.

O que fazer em vez de culpar o metabolismo?

Troque a pergunta “meu metabolismo é lento?” por “o que estou comendo e o quanto me mexo, de verdade?”. Meça por duas semanas sem mudar nada, ajuste uma coisa de cada vez e mantenha o plano que você aguenta, porque o resultado vem do comportamento mantido por meses. O caminho prático tem três passos.

  • Meça por duas semanas, sem mudar nada, para ter o seu ponto de partida real.
  • Ajuste uma coisa só, como o lanche pós-treino ou o fim de semana, e meça de novo.
  • Mantenha o plano que você aguenta, porque o que decide o resultado é o comportamento mantido por meses. Se quiser comparar estratégias, veja qual a melhor dieta para emagrecer.

Quer levar isso pro dia a dia? O meu guia de bolso tem a refeição livre inteira, o jeito de pensar que segura a dieta e receitas leves. Abrir o guia de bolso

Continue no mesmo assunto:

Perguntas frequentes

Existe como diagnóstico clínico, como no hipotireoidismo, mas é raro e se confirma com exame de sangue. Na maioria das vezes, o que parece metabolismo lento é erro de estimativa do que se come e do que se gasta.
Registre tudo o que come por 14 dias e acompanhe a média semanal do peso. Se o peso fica estável, o que você comeu é perto do seu gasto. Se houver sintomas como cansaço fora do comum ou ciclo alterado, procure um médico.
Não de forma relevante. Um estudo com medidas de gasto de energia mostrou que, ajustado pela massa livre de gordura, o gasto fica estável dos 20 aos 60 anos e só cai depois. O que muda é rotina, sono e massa muscular.
Só de forma aproximada. Em um teste com sete aparelhos de pulso, nenhum teve erro abaixo de 20% para o gasto de energia. Use o número como referência de esforço e não como licença para comer mais.

Referências

  1. Lichtman SW, Pisarska K, Berman ER, et al. Discrepancy between self-reported and actual caloric intake and exercise in obese subjects. N Engl J Med, 1992;327:1893-1898. doi:10.1056/NEJM199212313272701
  2. Pontzer H, Yamada Y, Sagayama H, et al. Daily energy expenditure through the human life course. Science, 2021;373:808-812. doi:10.1126/science.abe5017
  3. Shcherbina A, Mattsson CM, Waggott D, et al. Accuracy in wrist-worn, sensor-based measurements of heart rate and energy expenditure in a diverse cohort. J Pers Med, 2017;7:3. doi:10.3390/jpm7020003
  4. Polidori D, Sanghvi A, Seeley RJ, Hall KD. How strongly does appetite counter weight loss? Quantification of the feedback control of human energy intake. Obesity, 2016;24:2289-2295. doi:10.1002/oby.21653
  5. Hall KD, Sacks G, Chandramohan D, et al. Quantification of the effect of energy imbalance on bodyweight. Lancet, 2011;378:826-837. doi:10.1016/S0140-6736(11)60812-X
Zé Ricardo
Zé Ricardo CRN 45033

Zé Ricardo é nutricionista esportivo (CRN 45033), formado pela UFPE, especializado em alimentação para corredores. Atende no Instituto Corrêa (Boa Viagem, Recife) e online em todo o Brasil.

Brick by Brick
Quer aplicar isso na sua rotina?
Acompanhamento nutricional personalizado para corredores e pessoas que querem autonomia e resultados para a vida toda.

Quer acompanhar a rotina do seu nutri corredor?